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Alberto Bernabé: “Innovatur tem a ambição de crescer a nível insular”

Depois de falarmos com os principais parceiros da Innovatur sobre o que é e em que consiste o projeto, é a vez de conhecer a opinião do vereador do Turismo, Internacionalização e Ação Externa do Cabildo de Tenerife, e saber o que levou a corporação a liderar este plano para a modernização turística de Tenerife, Madeira e Açores, integrado no programa de cooperação MAC 2014-2020 e pertencente ao Fundo de Desenvolvimento Regional da União Europeia denominado INTERREG.

 

Entrevista com Alberto Bernabé, vereador do Turismo, Internacionalização e Ação Externa do Cabildo de Tenerife / Fotografia T.Cuadrado

 

O que levou o Cabildo de Tenerife a ser o principal parceiro do projeto de modernização turística Innovatur?
Sobretudo a nossa ambição de contribuir para um desenvolvimento turístico de Tenerife de forma permanente. Em matéria de turismo e inovação e, sobretudo, com a criação da Fábrica de Inovação Turística, já temos há muito uma vontade política do Cabildo Insular para encontrar pontos de encontro entre uma indústria que tradicionalmente tem sido pouco reformadora, com essa vocação inovadora que acreditamos que um destino turístico líder deve ter para continuar a liderar um setor que, ao contrário do que muitos acham, é muito competitivo e mutável.

O que pode Innovatur representar para os destinos turísticos participantes de Tenerife?

Acima de tudo, estarem plenamente conscientes e preparar-se de forma muito clara para poderem continuar a competir. O setor não espera por ninguém e a capacidade de competir a nível turístico não depende apenas do clima e de um bom hotel, mas de um conjunto de fatores que são muito mais amplos. Por isso, pensar permanentemente em modernizar, em renovar, em adaptar-se a um mercado e a um turista também em constante mudança é um requisito indispensável para que as zonas que possam estar em risco de ficar fora do mercado continuem a competir com novas estratégias.

E a modernização do setor turístico em Tenerife?

Puerto de la Cruz e Los Cristianos têm muitas décadas de história hoteleira e pareceu-nos conveniente começar pelas zonas mais clássicas, particularmente El Puerto de la Cruz que é o berço do turismo no nosso país. Mas na verdade, a ilha de Tenerife na sua totalidade é o ecossistema do que fazemos agora com Innovatur nestas duas zonas turísticas concretas, e nada do que possamos trabalhar em Los Cristianos ou Puerto de la Cruz deixa de ser exportável para qualquer zona turística. Innovatur tem a ambição de crescer a nível insular.

Innovatur fornecerá os recursos ao setor privado para a sua adequação à modernização do destino em que se desenvolve. Que importância atribui à colaboração público-privada para a modernização e a inovação do Turismo?

Sempre demos grande importância. No Cabildo insular gostamos de dizer que não devemos fazer política do turismo, mas política turística e, desse ponto de vista, sempre trabalhamos em estreita colaboração com o setor privado, não só na hotelaria, mas também na restauração, comércio,… aliás de forma muito leal e muito participativa. Temos plena consciência e, por isso, parece-nos formidável promover a partir do público e através de Innovatur um bom número de empresas destes dois municípios.

Que lugar ocupa a inovação na estratégia turística do Cabildo nos próximos anos?

Ocupa um lugar inferior ao que deveria ocupar, digo-o com ambição. Embora tenhamos feito esforços para avançar em matéria de inovação turística, ainda temos um caminho longo a percorrer que olho com alguma inveja. Apesar de admirar a posição turística de Tenerife, admiro também o progresso de alguns destinos turísticos que estão à nossa frente em termos de inovação. Por isso, creio que devemos ser mais ambiciosos em matéria de inovação turística e que nos próximos anos tenha uma presença não só nas instituições, mas também nas empresas, que esteja instalada no seu ADN não como uma tendência ou uma corrente a que nos unimos por inércia, mas como uma vocação de avançar permanentemente em matéria de inovação com o acompanhamento das instituições. Vejo um futuro promissor, mas tendo sempre em mente que devemos ir mais rápido do que fomos até agora.

Um dos objetivos do Cabildo de Tenerife é apostar na qualidade ao invés da quantidade. Que papel desempenha a inovação neste sentido?

A aposta na qualidade tem a ver com o grande crescimento de hotelaria de cinco estrelas, com a procura de um turista mais inquieto que procura mais serviços, como por exemplo uma gastronomia local em que existe uma grande probabilidade de o turista investir uma boa parte dos seus rendimentos. É necessário desenvolver um conceito de negócio turístico mais inovador, porque quando descobrimos que por trás de uma hotelaria e de um cliente de maior qualidade existe mais emprego, mais despesa e mais fidelidade, a equação é mais interessante do que a que nos preocupa, que é a de quantos turistas conseguimos. Além disso, os números também têm inevitavelmente um efeito sobre o meio ambiente, os recursos, as estradas… Neste sentido, a inovação desempenha um papel fundamental.

 

Como visualiza o turismo na ilha de Tenerife dentro de dez anos? Que decisões deve tomar para consegui-lo?

Visualizo uma evolução em que o turista volta frequentemente à Ilha, independentemente de onde fica alojado; visualizo não mais turismo do que agora, mas melhor; vejo um setor turístico, sobretudo na parte de alojamento, muito renovado, isto é, um setor turístico que compreende que é necessário evoluir para um equilíbrio entre a rentabilidade que pode gerar e o reinvestimento que deve fazer no negócio para continuar a ser competitivo; e também vejo um volume de oferta de lazer muito superior ao que temos agora, onde além do sol e da praia, das grandes ofertas de lazer de parques temáticos ou do Teide, ou do avistamento de baleias, tenhamos também muito mais entretenimento de menor intensidade que permita descobrir muitos locais de Tenerife que não são os mais conhecidos. Dessa forma, o turista poderia distribuir-se melhor por toda a Ilha e poderia criar uma distribuição de riqueza não tão concentrada nos hotéis e nos grandes centros turísticos de lazer.

Que visões em torno do turismo das ilhas da Madeira e da Terceira acredita que seriam interessantes implementar em Tenerife?

A Madeira, e particularmente o Funchal, conseguiu manter de uma forma mais homogénea um turista de “alto nível” que em Tenerife já não tem o mesmo peso. Também podemos aprender com os Açores, nomeadamente a ilha Terceira, que são muito reconhecidos pelo seu turismo

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