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Os estabelecimentos comerciais e hotéis falam sobre INNOVATUR (II)

Se na primeira parte desta entrevista o presidente do Ashotel, Jorge Marichal, e o secretário-geral de FAUCA, Abbas Moujir, nos comunicaram as necessidades e os objetivos dos estabelecimentos comerciais e hotéis para a reativação das zonas turísticas de Tenerife integradas em INNOVATUR, nesta segunda parte oferecem-nos as chaves sobre o tipo de turista que interessa focar a modernização destes negócios e como chegar a eles.

Qual o turista-alvo dos estabelecimentos comerciais e hotéis de Los Cristianos e Puerto de la Cruz?

Abbas Moujir (A.M.): O turista que viaja para o município de Arona é um turista com maior poder de compra. Na verdade, já observamos como algumas zonas do município têm vindo a criar um tipo de comércio destinado a este tipo de turista, e isso é o que deve acontecer também no norte. Não pretendemos tanto a quantidade de turistas, mas a qualidade desse turismo. Por vezes, é mais importante o montante gasto por turista do que o número de turistas que chegam. Portanto, é necessário fazer com que o turista que vai a Puerto de la Cruz também seja um turista de qualidade e de poder de compra mais elevado, mas para isso temos de dispor de uma oferta que corresponda a esse tipo de turista, o que implica um comércio e uma restauração de maior qualidade e que ofereça produtos diferenciados.

Jorge Marichal (J.M.): O que temos de fazer é fomentar a vinda de clientes das nacionalidades que já estão presentes e, se possível, explorar novos segmentos de mercado. No caso de Arona, temos um turismo inglês pujante, um turismo espanhol e um alemão; e, no caso de Puerto de la Cruz, predomina mais o alemão e o espanhol. Para tudo o que esteja relacionado com a tipologia de estabelecimentos extra hoteleiros, os nórdicos podem ser muitos interessantes na época de inverno. O turismo francês, que é um turismo disposto a ficar em hotéis de um certo nível e, portanto, tem um nível de gasto interessante, também pode ser uma aposta; os italianos também. Temos de trabalhar nos mercados em que temos uma presença menor do que os mercados tradicionais, porque temos também no horizonte algumas incertezas que nos podem complicar a existência, tipo Brexit, e temos de reagir a isso.

Abbas Moujir, secretário-geral de FAUCA.

“INNOVATUR pode beneficiar os estabelecimentos comerciais, aconselhando-os e fazendo parte de uma rede onde podem receber informação pontual”, Abbas Moujir (FAUCA)

 

Quais são as vantagens para estes empresários em inscrever-se em Innovatur?

A.M.: Tudo aquilo que possa melhorar a sua atividade e o seu negócio é importante. Acreditamos que INNOVATUR pode beneficiar os estabelecimentos comerciais, aconselhando-os e fazendo parte de uma rede onde podem receber informação pontual. Por isso, estamos convencidos de que se trata de um projeto interessante que deveria perdurar no tempo.

J.M.: Permite ao hoteleiro ter uma ferramenta de apoio na hora de transformar o seu negócio, na hora de investir nele. Os hoteleiros sabem vender camas, negociar com operadores turísticos, sabem oferecer um serviço de qualidade; mas, não são arquitetos, não são decoradores, não são analistas de mercado para saber quais são as previsões nos próximos anos… Pois bem, estas ferramentas, tanto de investimento como de prospeção, são fornecidas por INNOVATUR. Desde logo, é uma ajuda muito importante para que o hoteleiro dê esses passos de transformação do seu negócio com maior segurança e conhecimento.

 

“(INNOVATUR) é uma ajuda muito importante para que o hoteleiro dê esses passos de transformação do seu negócio com maior segurança e conhecimento”, Jorge Marichal (Ashotel)

 

Como imagina o setor que representa dentro de dez anos nestas zonas turísticas?

A.M.: O comércio continuará a evoluir, adaptando-se aos novos tempos e aos novos protagonistas. As ruas principais de Puerto de la Cruz ou de Los Cristianos já não são as mesmas tendo em conta a sua evolução nos últimos quarenta

Jorge Marichal, presidente de Ashotel.

anos, e o mesmo acontece com o novo consumidor e o novo turista. Portanto, tudo aponta que daqui a dez anos veremos um comércio com muitos ecrãs LED e pouco papel, e talvez com poucos produtos no estabelecimento e com mais montras virtuais. Os estabelecimentos comerciais de Puerto de la Cruz e Arona também irão evoluindo e adaptando-se aos novos tempos.

J.M.: O futuro desejável é que sejam hotéis renovados, hotéis especializados em diferentes segmentos de procura, com níveis de ocupação e, sobretudo, de gastos muito interessantes, que é o que vai permitir partilhar essa riqueza procedente de quem nos visita, oferecendo serviços de qualidade com pessoal qualificado. Acho que o desejo de qualquer pessoa que trabalha no setor é que esta indústria se consolide ainda mais, que continua a ser o motor económico do nosso arquipélago, que contemos com profissionais, que possamos exportar também conhecimento do que fazemos, porque o fazemos bem.

 

Agora que já tivemos a oportunidade de conhecer no blogue de Innovatur os pontos de vista do principal parceiro de INNOVATUR, dos representantes turísticos das zonas de Tenerife onde está integrado e agora das organizações de estabelecimentos comerciais e hoteleiros, se tivéssemos de destacar um ponto em comum, esse seria a necessidade dos comércios e hotéis destes destinos em apostar na inovação para que o novo turista não nos deixe.

Para isso, além de todos os recursos úteis que podemos encontrar no blogue de Innovatur, neste 2019 que está prestes a começar, terá a oportunidade de passar à ação, inscrevendo-se neste projeto e beneficiando de uma das agendas de inovação que serão desenvolvidas.

 

Feliz e inovador 2019 para todos.

 

 

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