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Os estabelecimentos comerciais e hotéis falam sobre INNOVATUR (I)

Já ouvimos Alberto Bernabé, o ministro do Turismo do principal parceiro de INNOVATUR, o Cabildo de Tenerife, falar sobre a necessidade de apostar na inovação nos destinos turísticos. Também ouvimos os vereadores do Turismo das zonas de aplicação deste projeto de modernização, Dimple Melwani e David Pérez. Chegou a vez de dar voz aos estabelecimentos comerciais e de alojamento através de Abbas Moujir, secretário-geral de FAUCA, e Jorge Marichal, presidente de Ashotel, para conhecer em primeira mão o que significa levar a inovação a estes modelos de negócio.

Que importância atribui à inovação na elaboração de um modelo de negócio?

Abbas Moujir (A.M.): Com a alteração do hábito de consumo na população, consideramos a inovação um elemento fulcral para poder seguir em frente e para que um negócio comercial possa ter sucesso. Principalmente, porque apareceu um novo concorrente dentro do que é o consumo, que é o comércio eletrónico e, evidentemente, isto implica que o pequeno comércio tenha de adaptar o seu negócio a essa nova modalidade.

Jorge Marichal (J.M.): Falamos de um setor muito competitivo como é o turismo, não só devido às exigências da própria procura que quer novas experiências, novas sensações, novos serviços… mas também entre os próprios operadores do setor, entre os quais existe uma concorrência feroz (o que também ajuda, é claro) e é positiva para melhorar a indústria como um todo. Portanto, a inovação é muito importante, porque nos proporciona novas formas de entender o negócio, de ver para onde devemos caminhar com o nosso negócio hoteleiro e ajuda-nos, dá-nos suporte, fornece-nos metodologias para enfrentar essas mudanças.

 

Por que é necessária a modernização dos hotéis e dos estabelecimentos comerciais em Puerto de la Cruz e em Arona?

Abbas Moujir, secretário-geral de FAUCA.

A.M.: Puerto de la Cruz está a tentar recuperar a importância que teve dentro do turismo na ilha e está a aplicar políticas de renovação em tudo o que é o tecido hoteleiro e também no tecido comercial, com obras em algumas zonas comerciais abertas e em algumas ruas pedonais do município. Los Cristianos é uma zona que, para ser mais competitiva, também necessita que o seu comércio se adapte aos novos tempos e a novo turista que se vem modernizando. O turista atual guia-se muito pelas redes sociais e vem com as suas aplicações móveis, que é o que utiliza na hora de decidir se realiza alguma compra ou se vai a algum restaurante.

J.M.: É óbvio que os perfis dos turistas que vinham há trinta anos não são os mesmos de agora. Por isso, é hora de pensar se podemos especializar os hotéis num determinado tipo de segmento, se podemos encarar a nossa renovação de um ponto de vista de uma especialização diferencial que nos vá permitir aprofundar um segmento e, embora não sejamos tão generalistas, poderemos chegar logo a uma diferenciação em relação aos restantes concorrentes, o que é muito importante.

 

“Se queremos um turismo de qualidade, temos de oferecer também um comércio de qualidade que se adapte aos tempos modernos”, Abbas Moujir (FAUCA)

 

Quais são as necessidades dos estabelecimentos comerciais e de alojamento nestas zonas turísticas?

A.M.: Inovar não implica apenas tecnologia. Inovar também implica, por exemplo, o idioma: um elemento fundamental que, curiosamente, apesar de serem ambas zonas turísticas, têm esta carência em determinados momentos. A imagem é outro dos elementos importantes da inovação: ainda se veem nestes municípios negócios com uma política comercial praticamente dos anos setenta e, se queremos um turismo de qualidade, temos de oferecer também um comércio de qualidade que se adapte aos tempos modernos.

J.M.: Trata-se, em primeiro lugar, de renovar as instalações, tanto o que o cliente vê como o que não vê, porque o que o cliente vê é influenciado pelo que não vê. É necessário enfrentar as duas: as que o cliente não vê, mas que lhe dão apoio, e as que o cliente vê, que são as que criam mais expectativas. Tudo isso em forma de novos serviços, novas instalações… Já foram integradas em muitos hotéis de quatro estrelas e superior instalações desportivas que são exigidas pelo cliente, desde ginásios, salões fitness, ioga, relaxamento, etc.

 

“O cliente vê é influenciado pelo que não vê”, Jorge Marichal (Ashotel)

 

Quais são os próximo objetivos definidos pela sua organização para a reativação destas zonas?

A.M.: Não podemos falar de melhorar o estabelecimento comercial e não melhorar o ambiente em que está inserido. E vice-versa: não podemos reabilitar uma rua sem que o estabelecimento aí localizado se adapte também a essa nova situação. Portanto, é importante uma política comum que seja aplicada no ambiente e também nos estabelecimentos. Tem de ser uma medida conjunta e global, exterior e interior.

Jorge Marichal, presidente de Ashotel.

J.M.: Basicamente, têm de andar de mãos dadas com ações relacionadas com infraestruturas públicas, com tudo o que tem a ver com praias, passeios marítimos, avenidas… Tudo o que constitui uma atração para o cliente quando está fora do hotel. É também necessário complementar e aprimorar o que tem a ver com os espaços para a diversidade no lazer, não incluindo apenas discotecas, mas também, pelo tipo de hotéis que temos, um sistema de lazer familiar, onde todos os membros da família participem durante o dia.

 

Que valor tem a colaboração público-privada na renovação dos modelos de negócio?

A.M.: Para Fauca, um dos principais elementos do seu plano de atuação é a inovação, mas se este é o ponto 1, o “1.a” é a colaboração público-privada. Temos apostado nisso desde que formámos Fauca há doze anos e, na verdade, já tentámos realizar alguma experiência em municípios como o de Santa Cruz de Tenerife, onde criámos uma parceria mista público-privada com a Sociedade de Desenvolvimento. Por isso, é importante. Não se pode aplicar uma política comercial num município se não houver uma colaboração entre todas as administrações e o setor empresarial.

J.M.: Em Tenerife, temos um caso de sucesso com o Consórcio Puerto de la Cruz, um claro exemplo de como as coisas funcionam quando o setor privado e o público andam de mãos dadas. Seria inútil os hoteleiros de Puerto renovarem os seus hotéis se os espaços públicos estiverem completamente obsoletos e deteriorados; ou vice-versa, se houver um forte investimento público e os hoteleiros não o acompanharem.

 

Se achou o artigo interessante, no próximo post continuaremos a conversar com os representantes do setor hoteleiro e comercial em Tenerife sobre o tipo de turista mais apetecível e como INNOVATUR pode ajudar as empresas inscritas no projeto a despertar o seu interesse.

 

 

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